O carnaval não espera

 

Não vou para a folia, estou lenta, bem lenta e sei que os blocos não vão me esperar. Quando eu chegasse haveria apenas latinhas, garrafas, tampinhas, serpentinas e outros vestígios da folia que passou.

Estou lenta bem lenta, sem emoção para a doidice que contagia.
Eu sei, é tão bom sambar, frevar e remar no meio da multidão.
Não invejo e nem reclamo quem esteja na festa mas não tenho agilidade para sair de casa.

Noutros carnavais já espantei o tédio, arrumei inspiração ouvindo tambores e cornetas contagiando, colorindo, expandindo o meu ser; tive o coração e as pernas comandando o corpo.

Não, não é uma questão de falta de vontade e nem de convicção, é bem mais de comodismo momentâneo.

Estou como um gato apegada aos móveis da casa. Quero ficar na geografia doméstica, fazer comida, aguar as plantas, e nada disso combina com o carnaval.

Sei, sei que os blocos estão bem animados mas vou ficar em casa curtindo a preguiça e a falta de vontade de sair para a folia.

Por Regina Barbosa